• Paulo Sérgio Rosseto

ventanias

Tão fraca essa chuva desacompanhada de vento

Proveio certamente de alguma nuvem dispersa

Fugidia da madrugada de alguma noite sem graça

Estanque sobre o telhado acima da minha cabeça


Não que não mereça que meu derredor se molhe

Com essa calmaria própria dos bem-aventurados

Porem estou acostumado a solavancos constantes

Tanto que me estranha tamanha bonança repentina


Sou eu afeito de trovões e ventanias da montanha

Que sacolejam e soçobram insanos restolhos de asas

Absurdamente inconstantes entre abas e serpentinas


Por isso a minha casa é de pedra incólume e bruta

Plantada sobre sólidos e poderosos alicerces da lida

Mas despreparada à suave nudez de uma brisa

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