• Paulo Sérgio Rosseto

UM FIM DE TARDE

Um fim de tarde acontece todo dia

Mas nunca se dá sozinho e sem alarde.

Mesmo após o sol ter ido de país em país

Deixa ainda costurado no tecido do céu

Por bons momentos o seu prurido.

Há sempre uma ultima nuvem ardendo

Brandamente vermelha e até entediada

De pele queimada e tecido redesenhando-se

Com qualquer brisa que lhe retoque mansa.

Alguma nuvem que tenha sumido na estrada

Que precisara descarregar sua chuva

Regado e carpido o feijão que será colhido.

Alguma nuvem igual a mim

Que passara toda a tarde a espera

De alguém transeunte de qualquer tempo.


Conheci uma estrela invisível que viajava pela terra

E todo o seu mundo era tarde porque seguia

Imprescindível recolhendo os últimos clarinhos

Iluminando os trilhos opacos do sertão dos vagalumes

E os intermináveis vagalhões dos desertos e mares.

Mas andava desviando para além das cidades

Onde as luzes sobrepunham-se ao lusco-fusco

No poluído e desumano horizonte abcesso da natureza.


Mas eu acostumara olhar para o outro lado do entardecer.

Sempre passava a minha infância de vigia

No laborioso oficio de acender a lua quando ela vinha.

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