• Paulo Sérgio Rosseto

três lagoas

Era eu menino e moravam caudalosos rios à minha frente

Tão longos, intermitentes, profusos, infindos e soltos

Em cujas margens verdes de silêncio ouvíamos absortos

O passar das horas nos longos trens sobre os nossos brios


Era eu crescido em meio às desertas largas ruas de areias

Que de uma calçada à outra mal se ouviam os clamores do futuro

Incompreendíamos os porquês de tanta luz e a tatearmos no escuro

À procura dos sonhos que regessem as nossas jovens veias


Agora longe, atrás do tempo que escoara por aqueles trilhos

Ancorei meu barco num falso porto refestelado de saudades

Onde tudo é pedra, pressa, asfalto, agito, instância sem volta


Ainda existem rios porem não mais com as mesmas aguas

Permanecem as ruas mas estas ignoram toscas verdades

De que envelhecem os olhos mas as valsas ainda sonham-te

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