• Paulo Sérgio Rosseto

TEIMOSAS

Ensinei minhas mãos teimosas a pouco se verem Às vezes encontram-se, revezam

Condecoram, aplaudem, e retomam seus lados

As minhas mãos pouco sabem uma da outra Ainda mais quando advertem, apontam, condenam Cumprimentam, auxiliam ou dão adeus – Aprenderam a gesticular sozinhas

Porem mantem uma incrédula cumplicidade de energia Ajudam-se obvia e espontaneamente para segurar uma barra Desatar algum nó, pontilhar a viola, carregar emoções Destravar as janelas, encontrar os rumos

Estão é verdade repletas de solidariedade E assim convivem debulhando situações interceptadas Pois até quando minha mente se põe em oração Unem-se e necessitam dessa união Mas não se leem

Independente de onde meus pés andem As minhas mãos precisam ser lidas por minha vida cigana

Enquanto isso folheiam livros e escrevem historias


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