• Paulo Sérgio Rosseto

ORATÓRIA

A boca molha e clama ardentemente Pela outra boca Cobiça, profana Deseja o absoluto Declama o encanto, recita e canta Cala enquanto a outra fala Fala de si quando a outra cala Passeia os lábios, ri da interlocutora Sonha com o beijo arteiro que a quer beija-la Saliva, anseia, pela ideia acesa De tomá-la presa pela língua morna Até faz caras ante um bocejo Solta a voz se a garganta grita Retém os sons quando sussurra Por vezes urra e engole a borra Do apregoado choro quando magoa Ah, a boca sabe a exata hora De rir sem graça ou gargalhar Rasgar os dentes se necessita cuspir Reter aflita o ar por alimento Mas sobretudo ora e elogia mais que maldiz Pois pela reza fomenta o fôlego E todo o ser que a tem se curva Nesse místico momento

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