• Paulo Sérgio Rosseto

O TEMPO E O COPO

Há momento de rudez assim emborcado

Um copo liquidado sobre o mármore frio

Liso corpo transparente e sem vértice e cabo

Que nós mesmos o deixamos quieto e vazio


Nem jarro nem taça nem cálice ou xícara

Apenas comum instrumento sem alça

Que as mãos o levam raso ou cheio à cara

E mata a intensa sede da língua e da boca


Depois do bebido e não mais necessário

Aguardará pela própria água ser limpo lavado

Enxuto para outra vez pelos lábios ser usado


Se descuidado cai e parte-se em pedaços

Feito o tempo sem proveito desperdiçado

E jamais alguém poderá unir-lhe os cacos

0 visualização

Posts recentes

Ver tudo

a irmã gêmea de minha imagem

A irmã gêmea de minha imagem Caminha em forma de sombra em mim grudada E a cada gesto meu transfigura-se tão rara Que ninguém percebe de tão comum E se apercebe nem repara Por vezes retém dedos e traç

o que defendo porque creio

Convença-me com qualquer palavra Peça com veemência A ti disporei todos os sentidos Ouvidos Para que inteire da tua sentença Somente não exija que compadeça Não há complacência quando se força A teimo

eu tanto disse te amo

Eu tanto disse te amo porem a tão poucas que a minha boca passou a omitir a pronúncia dessa oração Acostumou-se a ficar calada para não ser repetitiva afinal com qual propósito tanto dizer uma obvia e

© 2020 by ONDAX

  • Facebook PSRosseto
  • Instagram PSRosseto