• Paulo Sérgio Rosseto

o circo

Eu me entristecia quando uns sentavam-se em tabuas

Outros em poltrona estofada

Se nas elucubrações do artista

A emoção do riso

A expectativa do risco

E admiração pelo ato

São únicas na comoção da plateia


A lona do grande circo

Foi aos poucos rasgando

Os panos erguidos

Deixaram evidente palco picadeiro

Camarim camarote e arquibancada


Então compreendi que viver é ser partícipe

Do mais lúgubre ou alegre espetáculo

Depois de ser todo pouco importa ser parte

Se não estiver nua e transparente e repleta

Nada será arte

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