• Paulo Sérgio Rosseto

NENHUM

Não conheço deserto exceto o da alma

Nem é imenso nem inquebrantável

A ponto de vergar junto às palmeiras ao vento

Nem denso posto que passa

Ao menor sorriso que se assemelha


Esse excedente que por vezes me toma

Jamais fora suficiente para dilacerar as entranhas

Pois fosse medir pela quantidade de areia seria uma praia

Se pela aridez do sol seria o ápice da luz

E se pelo frio da noite talvez um oásis de frescor


Esse recolhido personagem é mais grato que triste

Infinitamente mais humano que ateu

E prova sabores ainda que esses sabores

Se estranhem no profundo amargor da mente


Tento aprender a cada dia a ser bom –

Não preciso ser melhor

E dentro dessa mínima bondade

Ensino a ser intenso mesmo sendo nenhum


A vida é feita sobre a soma de palavras

Igualzinho a um poema

Mesmo muito breve

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