• Paulo Sérgio Rosseto

ENTRE LETRAS

Devemos às palavras todo o louvor da língua

A exegese da verve como indumento

Arauta semântica de doce papila


Analise portanto as tuas sentenças

Cada qual carrega a necessidade da crença

O objeto da justa balança

A audácia da reza

A peleja da avença


Palavra alguma se desgasta por má influência

Nem degenera por desuso ou excesso em usa-la

Ainda que represente ou signifique

Sinônimo de síntese em insistentes sentimentos

Instigue o que te fora dito mesmo silenciosamente


Amigo, ame tanto a língua quanto a pátria tua

Suficiente que jamais baste

Para que satisfaça e não enjoe

Renasça sem que desmanche

Revigore sem que vicie

E te fale sem que aquebrante os significados

De qualquer suspeita de pensamento em contrição


Ainda que falho todo texto atesta e santifica

Pelos ensaios, as causas, entre letras e tons

Calar-se é prudência, a palavra é dom

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