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  • Paulo Sérgio Rosseto

DESMANCHE

Meu coração tem teto de glace martelado

Paredes de geleia acartonada

Porta e janela de gelatina caulim

Chão de papel machê encorpado

Escada em espiral e caracol de caramelo

Forro de anilina adocicada de anil


Quando choro tudo se desprende e derrete

Menos o telhado que flutua lerdo

Num rio placebo amarelo que viaja em mim

E se precipita aos pedaços rumo ao cerebelo

E se arrebenta no precipício da alma deserta

Zunindo um grito forte ferindo os tímpanos


Tua ausência me propõe alerta à espreita

Mas quando convenço que você não vem

Alicerce nenhum me sustenta

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