• Paulo Sérgio Rosseto

constância

Mesmo os rios de tantas vezes

Não se topam infinitos

Fazem curvas entre matas

Ah! contornam pelas pedras

Circundam barrancas

Às vezes tornam-se menos nítidos

Mas não sei se mais rasos ou profundos

Mansos e bonitos e disciplinados

E se acabam assoreados

Ou no colo de outras águas

Às margens em voltas e vindas


Alguns rechaçam

Aquele necessário momento de introspecção

E trocam a correnteza da foz

Por passeios na praça

Derramam-se entre as ruas

Espreguiçam rebeldes nos quintais

Até invadem casas

Encharcam fogões e camas

Depois dormem enlameados

Da fúria represa de suas mágoas


O bote de minha vida segue seu curso

Apesar da inconstância e dos temporais

Eu é quem não sei ser sereno

Abrupto riacho e tão pequeno

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