• Paulo Sérgio Rosseto

CONCRETAS

Durmo estirado no chão

Fora desse colchão sem graça

Prefiro a pedra fria que me acolhe

Do que a macia espuma que finge que forra meus ossos

Que até aquece mas não me envolve e nem abraça


Descanso num banco de granito

Exposto ao relento na praça

Colado à calçada onde apressado você passa e nem nota

E se apercebe finge que não vê e se olha ainda faz troça

Ou desvia por temor a minha provável ameaça


Balanço na rede dependurada entre o piso o teto e a parede

Por ganchos de anzóis presos ao nada

Parafusados em buchas espremidas em concretas certezas

De que entre o pó do cimento a agua e a areia calcada

Existe apenas a vontade e o cuidado

Em não me soltarem no vazio da palavra


Assim vou ensaiando meu jeito tardio de entender

Que tudo o que faço além e batalho acima da contínua lavra

Permanecerá à flor da terra mesmo que virtualizado

Enquanto esse corpo que já mal ouve e quase nem fala

Cessará sob a lápide somado a qualquer punhado de terra

Mas não diferente do que o amanhã também te espera

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