• Paulo Sérgio Rosseto

a irmã gêmea de minha imagem

A irmã gêmea de minha imagem

Caminha em forma de sombra em mim grudada

E a cada gesto meu transfigura-se tão rara

Que ninguém percebe de tão comum

E se apercebe nem repara


Por vezes retém dedos e traços

Esconde braços, confunde o dorso

Camufla o esqueleto

Deturpa os reféns detalhes da face

Em face ao que de mim se amolda e sobra


Mas ela, a minha sombra, não é meu lado ruim

E sim o retrato oposto à luz que me alumia

Que nem ofusca, enaltece ou contradiz


Por não ser translúcido o frasco

Não significa o desenho que o povoa

Esquivar-se sem forma e beleza

Deixar de ser intenso ou grato

Nem fantasma, opaco, nem ser nada

Diminui ou aumenta o que se preza


A minha sombra vai por mim

A cantos etéreos onde a alma iria sozinha

Mas não se assombra, apenas desalinha

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