• Paulo Sérgio Rosseto

a causa da qual morri

Põe-me longe sepulto retirado dos amigos

Distante dos parentes

Em cova rasa de condomínio

Cercada de estranhos vizinhos

Onde se desconheça o bom-senso

E não reconheçam a causa da qual morri


Sempre vivi muito próximo ao apego

Religado à exacerbada bonança

Descomunal à pequenez do meu mundo

Não será justo que se perpetue

Quando o tempo e os dias

Não farão mais sentido

Atreva conviver a eternidade

A engana-los com a índole de boa gente


Pois se assim tivera sido os teria amado mais

A ponto de não ter partido sem tê-los deixado

Com as certezas de que não duvidaram jamais


Por isso que seja erma minha ultima morada

E nada e ninguém no extremo derredor

Conheça as insalubres trapalhadas de um ausente

Que nem mortos auferidos ou vivos mortais

A meu gosto e pedido nem se lembrem ou arrependam

Terem me posto ali sob a alcunha de indigente

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