• Paulo Sérgio Rosseto

SEDE

Na hora da sede intensa

O líquido que se desmancha em porção necessária

Anda pelo interno do copo aparentemente lerdo e lento

Por demais devagar e manso abrasa estar cheio

Tanto que a língua cansa dessa espera e ainda mais amarga

Arde no sal da saliva rala parecendo lágrima

Impaciente na garganta molhando o esôfago do sedento

E suado corpo que chora e implora e deseja a benfazeja

Gota que ao longe calmamente orgulhosa sai pelo olho

No cristal do vidro transparente e olha e aguarda o momento

De ser imediatamente sorvida junto às tantas outras moléculas de agua


Também minha boca tem essa mesma precisão quando espera meu beijo

E qualquer virgula que se interponha entre essa vontade e o desejo

Torna-se mais insensata que o tempo do mais sutil e absurdo pensamento

Como se o ardor do carinho e o amor não fossem os mesmos enigmáticos

E não ocupassem céleres um único espaço dentro de um jarro com gelo

Esperando ser um gole de agua de um copo escolhido a esmo

Idêntica reciprocidade de alguém também por ti sedento

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