• Paulo Sérgio Rosseto

CURA

Já não envelheço tanto a cada dia

Aliás percebo horas sem envelhecer

Acontece quando determinadamente

Consigo poupar a língua

De inefáveis momentos de desdéns


Sinto indo embora a irremediável pressa do dia

Deixando de vomitar vontades por desatar enjoos

Mesmo o espelho agora me enxerga pequenino

Pois me apreende a entender o que ficou aquém


Paro enfim zombando de uma ou outra desventura

Acho que a nostalgia valoriza sinuosidades

E a idade cura onde nem mesmo a imagem

Atreveu-se a ferir ao colocar a mão e não estancou

Diminuindo tensões sem pressa de reduzir voltagens

Sem machucar por bobagens ao perder de vistas

Sem descontar na poesia o que não se desvendou


Ando envelhecendo menos a cada estendido dia

Pela expectativa óbvia de ainda não ter vivido

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